CURIOSIDADES:
JOÃO SIMÕES LOPES NETO
Simões Lopes Neto nasceu na estância
situada nos arredores de Pelotas, em 1865, era descendente da nobre linhagem
chefiada por seu avô, o Visconde da Graça. Entretanto, ninguém poderá chamá-lo
"homem do campo", pois, já aos onze anos estava no núcleo urbano de
Pelotas.
Sua formação escolar completou-se no
Rio de Janeiro, onde esteve matriculado, a partir de 1878, no famoso Colégio
Abílio. Tirando o período que passou no Rio de Janeiro, poucas vezes esteve
longe de sua cidade natal.
Sua carreira foi em parte comercial e
em parte na imprensa jornalística, mas a passagem pelo mundo dos negócios pode
ser traduzida numa invariável sequência de desastres que o fez morrer pobre. A
luta pela subsistência seria travada nas redações dos jornais provincianos,
contudo não foi um grande jornalista.
Simões nada tinha a ver com o
protótipo de rústico homem do campo, pois somente durante a infância viveu na
realidade campeira, no resto da vida esteve em ambiente urbano, mas suas obras
reproduzem o ambiente rural:
- 1910 – Cancioneiro Guasca.
- 1912 – Contos Gauchescos
- 1913 – Lendas do Sul
Suas obras póstumas são: Caso do
Romualdo e Terra Gaúcha.
Não conheceu a glória literária que, no seu
caso, é inteiramente póstuma. Até nisto a biografia de Simões Lopes Neto é uma
biografia frustrada: sua pequena/grande obra escapou ao presente do autor. Era
um legado para o futuro. A fortuna do escritor é, portanto, tardia.
Estamos diante de um desses casos,
aliás, frequentes na história literária, em que a força irradiadora da obra
ultrapassa o destino absolutamente opaco do autor que a produziu.
Os contos gauchescos e as lendas do
Sul ainda são uma expressão do regional e traduzem uma ideologia regionalista,
pois se trata de código social que se encerra em si mesmo, sem ter assim,
expansão para fora do meio. Simões, em sua obra, descreve o meio geográfico,
aproveita a linguagem regional, os hábitos e os costumes. Mostra uma raça viril
e perfeitíssima, a raça gaúcha.
Todos os casos vividos nos Contos
Gauchescos, foram presenciados ou escutados por Blau Nunes, que agora conta-os
ao seu interlocutor, durante uma jornada pelo interior da província. Lidos
sobre esse ângulo, os casos formam uma narrativa: um só personagem/ narrador
presta testemunho diante do mesmo interlocutor.
Em sua ficção a movimentação da
violência se mostra presente desde os campos de batalha até os ranchos do
interior provinciano.
CURIOSIDADES:
CYRO MARTINS
Cyro nasceu em Garupá, distrito de
Quaraí, em uma fria madrugada de 1908. Aos seis anos tem sua primeira
professora, dona Gringa; mudou-se
para Cerro do Marco, onde tem como professor seu Lucílio Dutra Caravaca, um
misto de espantalho, gnomo e gente.
Seu pai, um modesto comerciante, era
visto por Cyro como “um homem de poucas letras, mas muitas luzes”. Aos onze
anos foi levado da campanha para um internato de jesuítas na Capital, mas
sempre voltava nas férias, pois é do seu amor pela campanha que nasce sua
literatura.
Aos quinze anos já escrevia, publicava
em “A Notícia” de Alegrete, “A Liberdade” de Quaraí. Em “Alma Gaudéria” revive
uma das últimas carreiradas da campanha junto à venda de seu pai. Neste mesmo
local, na máquina de seu pai, Cyro escreveu muitos contos. A máquina se
encontra hoje na Biblioteca do Centro Cultural Comunitário de Quaraí.
Cyro Martins é um intelectual de imensa
importância no cenário da cultura sul rio-grandense, não só por sua obra
ficcional como por sua dedicação à carreira de médico psiquiatra (formou-se em
1933). Trabalhou como médico por três anos em São João Batista do Quaraí.
Iniciou sua carreira com o livro de
contos “Campo Fora”, publicado em 1934, na trilogia do "gaúcho a pé”
(termo cunhado por ele mesmo em 1935), composto pelos romances Sem Rumo,
Porteira Fechada e Estrada Nova, desenvolve a temática da lenta expulsão dos
peões da estância e seu consequente empobrecimento, colocando a nu os problemas
socioeconômicos que aparecem na campanha a partir de 1910.
Em sua literatura transcende a
preocupação de corrigir problemas emocionais, isso fica evidente nas duas
primeiras obras da trilogia, obras amargas, que retratam os problemas que
atormentam o autor, o terceiro é menos doloroso, misturando o homem do campo
com o da cidade.
Seu personagem favorito é Cel.
Teodoro, do livro “Estrada Nova”, considera-o um personagem bem realizado
literária e humanamente, em suas palavras “É o melhor no sentido de mais bem
feito, mais bem talhado, mais bem perfilado.”.
Cyro não tem o hábito de fazer
anotações ou previsões para seus personagens, ele diz: “me envolvo nas ideias e
escrevo.”, era um profundo estudioso da alma, da ficção e da realidade, mas
também, um grande admirador de todas as coisas.
Seu valor está em ter recriado um
mundo e uma época de intensas transformações sociais, as quais mudaram o modo
de encarar o papel de peão dentro dessa nova estrutura social em que se
formava. O modelo de gaúcho idealizado é substituído pela figura do
"gaúcho a pé": sem rumo e marginalizado dentro do novo quadro que se
apresenta, sem possibilidade de retorno e à procura de outras perspectivas, de
uma estrada nova rumo à urbanização e à profissionalização.
Sua obra permanece atual, pois, os
problemas relatados por ele avolumaram com o passar do tempo.
Obra
completa do autor:
Ficção:
-
Campo fora (contos) - 1934
-
Sem rumo (romance) – 1937
-
Enquanto as águas correm (romance) – 1939
-
Um menino vai para o colégio (novela) – 1942
-
Porteira fechada (romance) – 1944
-
Estrada nova (romance) – 1954
-
A entrevista (contos) – 1968
-
Rodeio (contos e estampas) – 1976
-
Sombras na correnteza (romance) – 1979
-
A dama do saladeiro (contos) – 1980
-
O príncipe da vila (novela) – 1982
-
Gaúchos no obelisco (romance) – 1984
-
Na curva do arco-íris (romance) – 1985
-
O professor (romance) - 1988
-
Um sorriso para o destino (novela) – 1991
-
Você deve desistir, Osvaldo (contos) – 2000
Ensaio:
-
Do mito à verdade científica (Estudos Psicanalíticos) – 1964
-
Perspectivas da Relação Médico-Paciente – 1979
-
Escritores gaúchos - 1981
-
O mundo em que vivemos - 1983
-
A mulher na sociedade atual – 1984
-
Caminhos (ensaios psicanalíticos) – 1993
-
Páginas soltas – 1994
Memórias
-
Para início de conversa - 1990 (com Abrão Slavutzky)
Nenhum comentário:
Postar um comentário