O imaginário cultural do Estado do Rio
Grande do Sul caracterizou-se em um primeiro momento pela visão do homem a
cavalo, da pecuária, movida por interesses econômicos e políticos. Em um
segundo momento o imaginário se volta pra uma visão mais realista, do 'gaúcho a
pé', pobre, longe do ‘pampa’ e de seus costumes. Ou seja, no Rio Grande do Sul,
podemos visualizar duas representações do imaginário social: a do gaúcho
mitificado e a do não mito.
Podemos ver bem isso nas obras de nossos
autores, enquanto Simões Lopes Neto vê o gaúcho herói, como observamos neste
trecho do conto 'Juca Guerra': "Moreno, alto, delgado; olho preto; nariz,
de homem mandador; mãos e pés de moça; tinha força como quatro; bailarino,
alegre, campeiraço; e o coração devia ser-lhe mui grande, devia encher-me o
peito todo, de bom que era.".
Do outro lado temos Cyro Martins, que
nos mostra a realidade do gaúcho saindo do campo e entrando na cidade. Esta desmitificação pode ser observada no seguinte trecho: “Quando João
Guedes, há três anos atrás, já desiludido de achar morada na campanha, veio à
cidade em busca de uma casa para se meter com a família, foi o Oscar, o marido
de Querubina, que deu jeito no negócio, assumindo espontaneamente a
responsabilidade de fiador" (Porteira Fechada,1944). O que vemos é um
gaúcho desiludido, sem todo aquele orgulho, um ser deslocado tentando
sobreviver em um novo meio.
Patrícia Simone Grando
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